In Love With A Criminal #1

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                Durante os 19 anos da minha vida eu venho me perguntando o que é amar? E nesses últimos 3 dias eu venho refletindo sobre tudo o que me ocorreu. Eu estava no shopping, um cara que eu não conheço me agarrou, me vendou e me colocou dentro de um carro. Eu fiquei imóvel no momento, não consegui ter nenhuma reação, por isso foi tão fácil para ele me levar. Apesar dessa situação toda, eu até estou “gostando” de estar aqui, pelo menos estou longe de meu pai e minha mãe, longe de tudo e da preparação de um casamento arranjado do qual eu não quero, do qual eu quero fugir.
               
                Eu queria poder ter a coragem de fugir de tudo, ir embora e dizer não, mas meus pais eles não se importam com o que eu digo, com o que quero, com o que sinto. Por isso uma parte de mim está contente por estar aqui, pelo menos estou longe da realidade que vivo, e perto de um cara que apesar de tudo me trata bem. Engraçado que ele nunca ligou para meus pais pedindo resgate, nunca me disse o motivo de ter cometido tal atrocidade.

                Eu não sinto medo dele, sinto uma certa tranquilidade e segurança, o que é super estranho, quando estou ao lado dele. Ele é sereno, calado, quase nunca responde as minhas perguntas, fica o tempo todo na dele, pergunta se preciso de algo, traz comida e pede pizza quase sempre, dei até uma engordada por aqui. Ele comprou roupas para mim, e eu não tenho ideia do motivo dele me tratar dessa forma.

 – Angeline? – Ele chegou.

                O cara tinha ido em algum lugar, demorou duas horas mais ou menos. Nesse meio tempo eu fiquei lendo um livro que ele me deu. O livro é bom e está sendo interessando ler ele.

– Eu comprei essas roupas para você, quero que use hoje à noite, vamos sair.

                Ele apenas colocou a bolsa sobre a cama e saiu, nem esperou eu perguntar nada. Eu fui atrás dele. Como assim vamos sair? Acho que nenhum sequestrador em sã consciência leva sua vítima para dar uma saída.

                O segui até a cozinha e lá estava o nosso almoço, ele também tinha passado em um restaurante e comprado.

– Sair?

– Eu já falei com você sobre as perguntas. – Ele respondeu.

– Mas não acho que é normal um sequestrador sair com sua vítima.

                Ele parou de lavar os pratos que estavam na pia e olhou para mim. O olhar dele sempre é intenso. Eu chego a ficar arrepiada quando ele olhar para mim.

– Eu não quero te machucar.

                Foi a única coisa que ele disse antes de sair da cozinha e ir para o quarto dele e se trancar lá dentro. Sempre que eu pergunto alguma coisa ele faz isso, se isola e fica por horas lá dentro. Inúmeras vezes eu fiquei tentando ouvir o que ele fazia por trás daquela porta, mas quase nunca eu conseguia ouvir alguma coisa. O que é super frustrante.

                Enquanto eu terminava de lavar a louça que ele deixou fiquei pensando em um monte de coisas. Por que ele me trata dessa forma? Bem, nunca me bateu, amordaçou, me deixou presa, ou coisa assim. Ainda me alimenta com coisas gostosas.

                Depois de lavar a louça eu fui comer o que ele me trouxe. É difícil entender a forma como eu me sinto tranquila e a vontade aqui. Consigo ver TV, tenho um banheiro para mim com as coisas que eu gosto, um quarto arrumado para mim, não tenho muito do que reclamar. Tenho visto esse lugar como um refúgio da minha vida. Eu sempre penso em como vai ser quando eu voltar para tudo, creio que serei uma Angeline diferente do que eu era.

                Meu pensamento está em meu irmão, Nicholas, ele é o único amigo de verdade que eu tenho, e ele deve ser o único que está verdadeiramente preocupado comigo. Nunca recebi muito amor da minha mãe e do meu pai. Eles sempre ligaram mais para o dinheiro e a imagem deles. Minha mãe só deu à luz a mim depois de uma decepção que ela teve com meu pai. Meu pai teve um caso com uma prostituta e Nick nasceu, minha mãe o odeio, e deixa isso bem claro sempre que Nick está por perto, mas ele não tem culpa de um erro do meu pai.

                E tem o casamento. Eu não sei como vou ser capaz de viver ao lado de alguém que eu não amo, alguém que eu não tenho nem um pingo de afinidade ou química, mas meus pais dizem que será bem para os negócios, mas e para mim? Ninguém realmente pensou em mim no meio dessa história. Minha mãe e a mãe do Sebastian, meu possível futuro marido, estão ajeitando tudo sobre o casamento, porque eu realmente não tenho saco para resolver tudo isso. Eu ainda tento lutar contra esse casamento, eu ainda tento não me casar, mas é praticamente impossível, eu não consigo ter um mínimo de respeito dos meus pais. E é difícil ter que aceitar tudo isso que vem acontecendo na minha vida.

                Sempre que paro para ver alguma reportagem na TV, aparece coisas sobre o meu sumiço, meus pais e Sebastian dando entrevistas patéticas pedindo informações. O que me deixou com o queixo caído foi quando Sebastian disse que não aguentava mais ficar longe do amor da vida dele e pediu para não me machucarem. E ninguém conseguiu uma pista sequer de mim. Tenho que admitir que o cara que me sequestrou é muito bom e está conseguindo contrariar muito bem o meu pai, porque é meio impossível fazer coisas contra ele, ou montar situações da qual ele não seja capaz de resolver.

                Após assistir mais uma reportagem sobre mim, eu fui lavar a louça que sujei. Fiquei mais uma vez que nem uma patética atrás da porta tentando ouvir alguma coisa, mas, como sempre, não consegui ouvir absolutamente nada. Voltei para o meu quarto e fiquei lendo o livro.   

– Você deve começar a se arrumar agora.

                Olhei para a porta e o vi, ele estava absolutamente lindo, calça jeans, camisa branca, jaqueta de coura e uma bota, que combina perfeitamente com ele. Ele tem uma beleza que mais ninguém nessa face da terra há de ter.

– Ok, mas para onde iremos? – Perguntei, levantando da cama.

– Só se arrume, Angeline.

– Não antes de você me dizer aonde iremos. – Cruzeis os braços.

– Se arrume logo.

                E ele saiu. Isso me deixa com raiva dele, nunca fala nada, nunca responde nada, ás vezes me deixa falando sozinha. Acho que eu sou a idiota por tentar ter algum tipo de relacionamento ou comunicação com ele. O cara me sequestrou e eu ainda tento procurar algo afetivo com ele.

                Peguei as roupas e fui para o banheiro tomar banho. Tomei meu banho normalmente, lavei meu cabelo. Sobre a pia do banheiro tinhas um batom, rímel e blush. Provavelmente ele comprou hoje e deixou aqui para que eu notasse. Coloquei a calça jeans, uma camisa preta, jaqueta jeans e uma bota, quase igual a ele, o que é engraçado. Passei a maquiagem que ele deixou sobre a pia, joguei meu cabelo para o lado e rapidamente fiquei pronta.

                Ele me esperava no sofá da sala, achei melhor ficar calada.

– É uma festa. – Ele disse.

– Uma festa?

– É espero que você goste de festas.

– Eu nunca fui em uma festa, não uma de verdade.




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